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Quinta-feira, 22 de Março de 2007
Xavier e Sara - Parte IV
Ele corria atrás dela. Ela fugia sem olhar para trás. Ele nem queria apanhá-la, apenas vislumbrá-la. Nem ela se deixava ver, nem ele a conseguia ver. Mesmo a correr atrás dela, não conseguia distinguir nenhum traço físico – o andar, as pernas, os braços. Sabia que ela corria nua, mas não a via. Sabia que se chamava Sara, apesar de não responder por esse nome – nem por nenhum. Estava a tornar-se recorrente.

Nem a vira (não só no sonho, mas também na realidade) – mas não parava de pensar nela. O agnosticismo de Xavier tremeluzia nestas alturas. Não concebia sequer uma justificação coerente e racional para o seu pensamento constantemente direccionado para Sara – e o pior é que ele procurava-a (à explicação).

Xavier para Xavier: “Pára com isto! Enlouqueces-me por nada!?!?”

Sara para Sara: “Que estranho! Mas que ideias são estas que me passam pela cabeça???”


Nunca se arrependia das decisões tomadas. (Nunca? Acreditas mesmo que as palavras ‘Nunca’  e ‘Sempre’ se aplicam assim??? Nunca! Nem pensar!!!).

Não estava arrependida de se ter ido embora. Mantinha as mesmas dúvidas. O seu espírito aventureiro continuava adormecido, num recôndito esconderijo. Haveria algo a impeli-la para aqueles raciocínios?? Misticismos?? Sim, era dada a eles. Aceitava-os, ou mais que isso, confortavelmente. Cria em algo, além.

Sara para Xavier: “Mas o que tens que me desperta estas ideias???”

Xavier para Xavier: “O melhor que tenho a fazer é esquecer isto.”

O orgulho impedia-o de telefonar para Sara. Não recebera resposta à mensagem e agora, após quase uma semana, nem mais voltara a tentar contactá-la. Não aparecia nos chatrooms.

Sara ouvira a mensagem imediatamente após a sua ‘fuga’. Não sabia o que responder. Não respondeu. Tinha-a guardada no seu atendedor. Ouvira-a algumas vezes mais, na busca por uma hesitação, um traço de ansiedade.

Os dias pareciam-lhe mais enfadonhos, mais tristes, mais arrastados. O que lhe faltava, afinal? Começava a pensar que de facto aquele encontro poderia ter trazido algo, nem que fosse uma experiência nova que espoletasse novas e mais fortes emoções. Teria feito bem??? Talvez não devesse sequer ter ido lá... afinal, parece que isso ainda lhe causou maior ansiedade. Poderia ter declinado o convite, ou alongado o período de não-conhecimento pessoal. Agora, depois de já ter parecido inevitável o encontro, complicavam-se os papéis. Conhecerem-se passou a ser realidade quando combinaram o encontro, apenas não se concretizou de facto. E tornava-se incomportável a situação dos factos reais não corresponderem à realidade.


- Olá, Xavier. Sou eu, a Sara.

- Ah! Olá! (casual)

- Está tudo bem?

- Sim. (seco)

- Estás zangado?

- Eu? Não!! (indiferente)

- Apareceste lá?

- Sim, estive lá. (inexpressivo)

- Pois... Sabes... eu não pude ir...

- Ah sim?? (frio)

- ... e depois não te pude telefonar logo...

- OK, não faz mal. (distante)

- Desculpas-me?

- Claro, tudo bem!!... (difícil)

- E... ... ... gostava muito... se... ... pudéssemos combinar... qualquer coisa... ... ... ... ... ... o que achas?... Pode ser??...

- Acho que sim, pode ser... (interrogativo)

- Então... e como queres combinar?

- Como quiseres. Diz tu. (semi-amargo)

- Pode ser amanhã, no mesmo sítio?

- Amanhã não me dá jeito... só depois. (desinteressado)

- OK, então. Às sete, pode ser?

- Tudo bem. Até lá então. (acutilante)

- Ah!  Eu levo de novo uma camisola branca, OK? Tchau, então. Um beijinho.

- Tchau. (click)


(continua)
publicado por ladoc às 21:31
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