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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005
Razões porque eu não votaria no Cavaco para PR

1. A sua estratégia de criação de infra-estruturas para o país foi para mim um fiasco e um erro de estratégia crasso. É verdade que o país bem precisava, ainda para mais estando no extremo da Europa, mas não no ritmo que foi imposto nessa altura. As consequências foram não só a “betonização” de uma boa parte do país, mas a criação da espécie “pato bravo”, com uma espécie de economia paralela a gravitar em torno das obras públicas. Ficou-nos até hoje esta sensação de que “quem constrói estradas é que está a fazer coisas”, fazendo com que não nos apercebamos do valor do investimento na educação, na saúde e na igualdade social.



2. A estratégia do ponto anterior foi a privilegiada, em detrimento especial da educação e formação. O exemplo da Irlanda, tantas vezes citado em comparação ao nosso país, é que eles começaram aproximadamente do mesmo ponto que nós, mas hoje em dia estão bem melhor. Uma grande diferença: investiram fortemente em educação e formação, e hoje em dia, empresas de alta tecnologia instalam-se no seu país, usufruindo da mão-de-obra local, altamente qualificada. Em Portugal? As empresas de produção intensiva deslocam-se para os países do Sudeste Asiático ou da Europa de Leste. Sem trabalhadores especializados e qualificados, a única coisa que nos poderia distinguir seria o preço da mão-de-obra, área em que não devíamos sequer procurar competir.



3. As privatizações foram uma panaceia que ajudou a arruinar o país, com resultados ainda hoje bem palpáveis. Optar por colocar sectores estratégicos do país nas mãos de privados só privou os cidadãos de serviços de qualidade – porque os empresários são, grande parte das vezes, os primeiros a omitir a “cultura do serviço ao cliente” – e hipotecou o futuro de Portugal. Ainda hoje, nas portagens, nos postos de combustível, nos aumentos regulares das energias, comunicações e abastecimentos básicos, é visível essa marca indelével, de um país que se colocou nas mãos de administradores que pouco se preocupam com o bem-estar social.



4. A atitude de laissez faire para os gestores nada trouxe de bom ao país. A verdade é que encontraram o lucro fácil, na altura das “vacas gordas”, não o redistribuindo pelos trabalhadores, e foram os primeiros a não abdicar dos rendimentos quando o cinto começou a apertar. Resultado: cidadãos um pouco mais ricos (se bem que de forma algo ilusória, mercê da abertura do crédito por parte da banca) e empresários muito mais ricos. Assim se acentuou a desigualdade social, o que nos leva ao ponto seguinte.



5. A moralização fiscal não era um cavalo de batalha: afinal, os dinheiros entravam nos
cofres públicos por meio das privatizações, vendas de património (físico e não só), concessões de obras públicas, etc. Com isto, e sendo já de há longa data a protecção (no sentido de virar a cara e fingir que não se vê) aos mais ricos do ponto de vista fiscal, os mais pobres sentiram-se – e continuam a sentir-se – como os que pagam, enquanto outros mantêm os privilégios de sempre.



6. A formação foi vista como algo que se tinha de fazer para justificar os dinheiros trazidos da UE. Resultado: temos uma classe empresarial muito pouco flexível e extremamente limitada em termos de capacidade de gestão, e temos pessoas com 60 anos que, mal sabendo ler e escrever, foram atiradas para cursos de “Condução de Reuniões” no final da sua carreira, como forma de justificar os fundos europeus. Que desperdício!



7. As exportações de baixo valor acrescentado, dada a limitada capacidade de inovação por parte dos gestores, colocam-nos hoje como meros fornecedores de algumas marcas externas, mas sem poder de mercado, sem o poder de marcas portuguesas ou de uma identidade do país, que pudesse ser a nossa vantagem competitiva no mercado europeu e mundial. Por isso, corremos o risco de sermos um dos principais afectados pela globalização nos moldes em que está a decorrer (que eram previsíveis, diga-se).



8. O abandono do Alentejo, tratando-o apenas como uma espécie de “obstáculo” para se chegar ao Algarve, foi desesperante. Por conhecer de perto a realidade dessa região, chocou-me o desprezo com que foi tratada nessa década. E ainda hoje estão bem visíveis as marcas.



9. O estilo autoritário, até algo arrogante, com que se lidou, por exemplo, com a questão das portagens da Ponte 25 de Abril, foi totalmente descabida. Marca da personalidade de um homem rígido (e não apenas rigoroso) e pouco sensível para o desespero do povo.




As atitudes de alguma arrogância na campanha presidencial, bem como o princípio de falar mal do outro candidato, foram as razões que o fizeram perder essa batalha eleitoral.
Com o tempo, e com o regresso à vida académica, pareceu demonstrar nas suas opiniões políticas o desenvolvimento de alguma sabedoria e de alguma sensibilidade social. Espero sinceramente que assim se mantenha, quer ganhe quer perca as próximas eleições presidenciais.


Considero-o um bom economista, apesar de não partilhar muitas das suas visões, e acho que é uma pessoa honesta e trabalhadora. Porém, e principalmente do ponto de vista social, acho que a sua pouca sensibilidade não será uma mais-valia para Portugal nestes anos que se aproximam.

publicado por ladoc às 23:33
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