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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006
Letz Zep - Sala Bikini, 15/2/2006
É-me extremamente difícil iniciar esta review. Porque nem sei bem como o fazer.
Talvez dizendo que não esperava de forma nenhuma ver uma banda de imitadores de Led Zeppelin. E que não esperava ver os temas dos LZ tocados tal e qual o original, com todos os pormenores sacados.


Pois bem, obtive aquilo que esperava: uma banda de bons músicos a prestar homenagem à maior banda de rock de todos os tempos, interpretando os seus temas com uma qualidade inegável, e satisfazendo a larga legião de fãs que encheu a Sala Bikini. Curioso terá sido o facto da faixa etária da assistência ir dos 19 aos 60 anos, com muitos deles a conhecerem as letras!


Com um set que poderia ter sido tocado pelos Zeppelin, os Letz Zep abriram com "Celebration Day", "Ramble On" e "Nobody's Fault but Mine", todas com excelentes interpretações e arranjos bem conseguidos.


O som não estava do meu agrado, pois o técnico optou por um som grave para a secção rítmica (dando aquela sensação de murros no estômago), mas que acabava por embrulhar o baixo e o bombo, tornando-se difícil distinguir uma coisa e outra. Lá tive de me esticar para ver se a perna do baterista correspondia às famosas batidas do Bonzo. E sim, estava bastante lá.


O virtuosismo do baixista comprovou-se não só no seu desempenho com o Fender, mas também com o teclado (em especial na versão de "No Quarter", momento em que o técnico de luzes insistiu em não lhe apontar o foco principal ), e também no bandolim eléctrico que utilizou no set acústico (sim, também tivemos direito a isso! ).


A guitarra estava muito bem entregue, e apesar do JCM 900 que me deixou meio apreensivo quanto ao som, deu para constatar que este guitarrista tinha musicalidade nas veias, e que o Jimmy Page é talvez um dos melhores criadores de sempre.


A voz começou meio discreta, contornando os momentos mais "esticados" das vocalizações originais, mas bastante competente. Algumas falhas nos tempos fez-me pensar se estaria a ter bom som no palco, mas foram pormenores de somenos importância. Os gestos, muitíssimo bem estudados, faziam mesmo recordar a presença de Robert Plant himself, mas a teatralidade era o que menos me interessava naquele concerto.


O concerto teve um alinhamento impecável, com temas que não esperava e, naturalmente, a faltarem muitos outros que gostaria de ouvir. "Babe I'm Gonna Leave You", "Rock'n'Roll" e "Immigration Song" talvez tenham sido os que tiveram maior manifestação do público, mas decerto que "Stairway to Heaven", "Heartbreaker", "Black Dog", "Kashmir" e outros também fizeram as delícias de muitos elementos do público.
Não faltou também um set acústico, em que "Going to California" e "That's the Way" brilharam.



Fechei os olhos em alguns momentos, para verificar se me sentia como se estivesse num concerto dos Zeppelin, mas não aconteceu. Talvez seja um sonho que sei impossível, e por isso nem mesmo tentando me consegui iludir.
Também não senti nenhum arrepio na espinha nos temas em que isso me sucede sempre que ouço os originais ("Since I've Been Loving You" e "No Quarter", só para citar dois exemplos).
Mas não foi por isso que o concerto foi menos interessante.
Julgo que, acima de tudo, o que me transmitiu foi uma espécie de confirmação de como os Led Zeppelin são a maior banda de sempre, inigualável, com uma mística, uma qualidade técnica, uma capacidade de criação absolutamente maravilhosa, divinal.
E apesar de não os poder nunca ver ao vivo, foi bom também sentir que não estou sozinho nesta minha adoração pela maior banda de todos os tempos.


P.S.: Para mais informações sobre os Letz Zep: http://www.letzzep.com


P.S.2: Eles vêm tocar muitas vezes a Espanha. Quando é que alguém em Portugal se decide a convidá-los para uma data???
publicado por ladoc às 21:05
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Mahatma Gandhi - 50 anos após a sua morte


No passado dia 30 de Janeiro, passaram 50 anos da morte de Mahatma Gandhi. Aqui fica uma pequena biografia e outros dados de um grande revolucionário.

 

Entre os grandes teóricos que modificaram o quadro político e ideológico do mundo do século XX, figura este homem de austeridade inflexível e absoluta modéstia, que se queixava do título Mahatma (Grande Alma), atribuído, contra a sua vontade, pelo poeta Rabindranath Tagore. Num país em que a política era sinónimo de corrupção, Gandhi introduziu a ética através do exemplo e da pregação. Viveu na pobreza, jamais concedeu benesses aos seus familiares e recusou sempre o poder político, antes e depois da libertação da Índia. Esta recusa converteu o líder da não-violência num caso único entre os revolucionários de todos os tempos.

 

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu a 26 de Outubro de 1869 na cidade costeira de Porbandar, distrito de Gujarat. Na altura, este era um mosaico de minúsculos principados, em que os governantes detinham um poder absoluto sobre a vida dos seus súbditos. O seu pai, Karamchand Gandhi, era o primeiro ministro de Porbandar e pertencia à casta dos banias, mercadores de proverbial astúcia e habilidade comercial. A sua mãe, Putlibai, provinha da seita dos pranamis, que misturavam o hinduísmo com os ensinamentos do Corão. Era uma mulher profundamente religiosa e austera. Na formação espiritual de Mohandas, que tinha um ilimitado amor pelos seus pais, para além da adoração à deusa Vishnu professada pela família, concorreram uma série de culturas e credos, entre os quais o hindu e o muçulmano. Mas o mais importante na sua filosofia talvez tenha sido o jain, que doutrinava a não-violência não só com os animais e seres humanos, mas também com as plantas, os micróbios, a água, o fogo e o vento. Exemplo típico de tardia genialidade, Mohandas foi um adolescente calado, retraído e nada brilhante nos estudos académicos, que não chamou nunca a atenção nas escolas de Rajkot. Aos 13 anos, e segundo o costume hindu, casaram-no com uma rapariga da sua idade chamada Kasturbai, a quem estava prometido desde os seis anos sem o saber. O jovem esposo enamorou-se apaixonadamente de Kasturbai, e para fazer amor com ela, abandonou o leito do seu pai moribundo na noite exacta em que este acabaria por falecer. Este facto deixou uma culpa inapagável em Gandhi, que mais tarde se declararia contra o casamento entre crianças e a favor da castidade sexual.

 

A família decidiu mais tarde enviá-lo para Londres para os cursos de advocacia de Inner Temple, cujas exigências eram menores que as das universidades indianas. Com tanto medo como excitação, o jovem embarcou em Bombaim em Setembro de 1888. Tinha 19 anos e acabava de ser pai pela primeira vez. Antes de partir, tinha prometido solenemente à sua mãe não seguir o costume inglês de comer carne, uma vez que o vishnuísmo o proibia. Várias vezes na sua adolescência tinha transgredido essa norma, influenciado por um amigo que lhe aconselhava a carne para se assemelhar em força aos ingleses.

 

Viveu três anos em Londres, assistindo à descoberta do Oriente pelo Ocidente, e começando assim a conhecer teólogos que o iniciaram na leitura do primeiro clássico indiano, o “Bhagavad Gita”, que chegaria mais tarde a considerar “o livro por excelência para o conhecimento da verdade”. Também ali teve contacto com os ensinamentos de Jesus Cristo, e durante algum tempo sentiu-se tão atraído pela ética cristã que chegou a hesitar entre esta e o hinduísmo. Dessa época também, são as suas tentativas de sintetizar os preceitos do budismo, do cristianismo, do islamismo e da sua religião originária, através do que dizia ser o princípio unificador de todos eles: a ideia de renúncia.

 

Nestes anos decisivos para a sua formação, leu Tolstoi, em quem mais tarde encontraria o guia para o aperfeiçoamento da prática e teoria da não-violência. Regressou à Índia com o seu título de advogado, mas apesar de ter ido em busca da sabedoria ocidental, voltava com o segredo que tinha tornado sábios os hindus.

 

Ao regressar ao seu lar, encontrou a sua família desintegrada: a sua mãe tinha morrido pouco tempo antes e os Gandhi tinham perdido toda a sua influência na corte principesca. Como advogado não tinha muitas perspectivas de sucesso, terminando num humilhante fracasso logo a sua primeira intervenção profissional, emudecendo ao dirigir-se ao tribunal. Foi então que uma empresa comercial muçulmana lhe ofereceu um contrato para um caso de um empresa em Durban, e Gandhi não deixou passar a oportunidade. Embarcou para a África do Sul em 1893.

 

No país dos antigos colonos holandeses, vivia uma colónia hindu maioritariamente formada por trabalhadores a quem os ingleses chamavam desrespeitosamente sami. Não tinham quaisquer direitos, eram menosprezados e discriminados racialmente, como pôde verificar por si próprio o jovem advogado em algumas viagens de comboio.

 

Após terminar o seu trabalho, Gandhi estava prestes a regressar à Índia, quando soube da existência de um projecto de lei para retirar o direito de sufrágio aos hindus. Decidiu então adiar a partida um mês para organizar a resistência dos seus compatriotas, e esse mês converteu-se em 22 anos.

 

Durante essa grande etapa da sua vida, a sua maior preocupação foi a libertação da comunidade indiana, e foi assim dando forma às armas de luta que mais tarde utilizaria no seu país. Nos primeiros anos, convencido das boas intenções do colonialismo britânico, abriu um escritório para defender os seus compatriotas ante os tribunais em Joanesburgo e propôs-se criar um movimento dedicado à manifestação por meios legais. Fundou o jornal “The Indian Opinion”, para unir a comunidade indiana e, como instrumento de agitação legal, criou o Congresso Indiano de Natal. As suas simpatias anglófonas levaram-no, durante a guerra contra os boers, a organizar o Corpo Indiano de Ambulâncias, acção que mereceu duras críticas por parte dos nacionalistas indianos.

 

A partir de 1904, a actividade de Gandhi sofreu uma alteração notável: depois de ler a crítica do capitalismo em “Unto The Last”, de John Ruskin, modificou o seu estilo de vida e passou a adoptar uma simples existência comunitária nos arredores de Joanesburgo, onde fundou uma comuna chamada Tolstoi. Nessa época desenvolveu a teoria do activismo não-violento, que colocou em prática pela primeira vez ao opôr-se à lei de registo. Esta lei obrigava todos os indianos a inscreverem-se num registo especial com as suas impressões digitais. Gandhi ordenou aos seus compatriotas que não se inscrevessem, que exercessem o comércio nas ruas sem licença e, mais tarde, que queimassem os seus cartões de registo frente à mesquita de Joanesburgo. Tal como muitos dos seus seguidores, foi para à prisão por diversas vezes, mas o movimento de resistência civil obteve vários êxitos parciais.

 

Em 1913, o protesto contra um imposto considerado injusto traduziu-se numa marcha através do Transvaal, até Natal. No ano seguinte, as autoridades britâncias voltaram atrás nesse imposto e autorizaram os asiáticos a residir em Natal como trabalhadores livres. A vitória parecia absoluta, e Gandhi, que tinha abandonado as vestes europeias em sinal de protesto, partiu definitivamente da África do Sul com a sua mulher e filhos. A longo prazo, todas as conquistas da comunidade indiana foram perdidas e as autoridades daquele país endureceram ainda mais a sua política racista, mas a África do Sul tinha sido o local de ensaio onde Gandhi desenvolveu e comprovou as tácticas que mais tarde havia de utilizar na sua terra natal.

 

Gandhi chegou à Índia em 1915 como um verdadeiro herói, mercê das suas campanhas no estrangeiro. O povo de Bombaim prestaram-lhe um caloroso acolhimento, o governador inglês fez questão de recebê-lo e o poeta Rabindranath Tagore deu-lhe as boas-vindas na sua Universidade Livre de Santiniketan. Pouco depois de chegar, na cidade de Ahmedabad, fundou uma comunidade quase monástica, em que estavam proibidas as vestimentas estrangeiras, as comidas com especiarias e a propriedade privada. Os seus membros dedicavam-se unicamente a duas tarefas materiais: a agricultura, para obter o sustento, e a produção de tecidos manuais, para se abrigarem. Aqui se deu início a uma luta que Gandhi havia de manter durante toda a sua vida: a batalha contra as marcas do hinduísmo e a favor dos intocáveis. O primeiro passo foi admiti-los como membros da comunidade.

 

Nesses primeiros anos, Gandhi abandonou toda a agitação política de modo a apoiar os esforços bélicos da Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial, chegando mesmo ao recrutamento de soldados para o exército inglês. A sua entrada na política indiana só se veio a realizar em Fevereiro de 1919, quando a aprovação da Lei Rowlatt, que estabelecia a censura e indicava duras penas para qualquer suspeito de terrorismo ou insurreição, lhe veio abrir os olhos para as verdadeiras intenções dos imperialistas ingleses no seu país. Gandhi passou então a encabeçar a oposição a essa lei. Organizou uma comissão de propaganda a nível nacional de acordo com o princípio da não-violência, que começou com uma greve geral. Prontamente estas manifestações se estenderam a todo o país, havendo ainda alguns focos de violência, apesar da insistência do líder no carácter pacífico desses actos de expressão pública. Quado chegou a Delhi para apaziguar a população, Gandhi foi detido. Poucos dias depois, a 13 de Abril, o Brigadeiro General Dyer ordenou os disparos sobre a multidão reunida na cidade de Amritsar. O colonialiso inglês tinha mostrado o seu verdadeiro rosto sanguinário e brutal: quase 400 pessoas foram assassinadas e milhares ficaram feridas. Mas as autoridades britânicas viram-se obrigadas a reconsiderar as suas tácticas, e a Lei Rowlatt nunca entrou em vigor. Nos anos seguintes ao massacre de Amritsar, Gandhi converteu-se no líder nacionalista indiscutível, alcançando a presidência do Congresso Nacional Indiano – partido fundado por Alan Octavius Hume em 1885 –, que ele soube converter num instrumento efectivo em prol da independência. De um agrupamento das classes médias urbanas, passou a ser uma organização de massas com raízes no povo e no campesinato. Puseram-se em marcha grandes campanhas de desobediência civil, que iam desde à negação massiva a pagar impostos até ao boicote às autoridades. Milhares de indianos encheram as prisões, e mesmo Gandhi voltou a ser detido em Março de 1922. Dez dias mais tarde começava o “Grande Julgamento”, em que Mahatma se declarou culpado e considerou a sentença de seis anos de prisão como uma honra, pelo que a sessão terminou com uma reverência mútua entre juíz e acusado.

 

Quando saíu da prisão – uma apendicite fez com que as autoridades coloniais o libertassem em 1924 – encontrou um panorama político bastante alterado: o Partido do Congresso tinha-se dividido em duas facções e a unidade entre hindus e muçilmanos, conseguida com o movimento de desobediência civil, tinha desaparecido. Gandhi decidiu então retirar-se da política, para viver como um anacoreta, em absoluta pobreza e procurando o silêncio como força regeneradora. Retirado em Ashram, converteu-se no chefe espiritual da Índia, no dirigente religioso de fama mundial que muitos ocidentais em busca da paz espiritual tratavam como um guru.

 

O seu retiro acabou de forma brusca em 1927, quando o governo britânico nomeou uma comissão para a reforma da Constituição, em que não participava nenhum nativo. De volta à luta política, Gandhi conseguiu que todos os partidos do país fizessem boicote a essa comissão. Pouco depois, a greve de Bardoli, em apoio à recusa de pagar impostos, terminava com um êxito total. A vitória do movimento animou o Congresso a declarar a independência da Índia, a 26 de Janeiro de 1930, e encarregou Mahatma da direcção da campanha de não-violência para levar à prática essa resolução. Este escolheu como objectivo da mesma o monopólio do sol que afectava particularmente os pobres, e partiu de Sabartami a 12 de Março com 79 voluntários rumo a Dandi, uma povoação costeira que distava 385 quilómetros. O pequeno movimento estendeu-se como uma onda por toda a Índia: os camponeses forravam de ramos verdes os caminhos onde passaria esse homem pequeno e semi-nu, com um bastão de bambu, a caminho do mar e à frente de um enorme exército pacífico. No dia do aniversário do massacre de Amritsar, Gandhi chegou à costa e pegou num punhado de sal. Desde esse momento, a desobediência civil foi imparável: deputados e funcionários locais demitiram-se, soldados do exército indiano recusaram-se a disparar sobre os manifestantes, as mulheres aderiram ao movimento; tudo isto enquanto os seguidores de Gandhi invadiam pacificamente as fábricas de sal.

 

A campanha terminou com um pacto de compromisso entre Gandhi e o vice-rei, em virtude do qual se legalizava a produção de sal e se libertavam os cerca de 100.000 presos detidos durante as manifestações populares. Além disso, Gandhi era enviado a Londres para estabelecer um governo constitucional da Índia. A presença de Mahatma em Inglaterra, à margem da enorme recepção popular, não trouxe resultados favoráveis para a causa, e ao regressar ao seu país, verificou que Nehru e outros líderes do Congresso estavam uma vez mais presos. Várias vezes na sua vida, Gandhi recorreu ao jejum como forma de pressão contra o poder, como forma de luta espectacular e dramática para deter a violência ou chamar a atenção das massas. A falta de humanidade no sistema de castas, que condenava os párias a uma absoluta indigência e ostracismo, fez com que Gandhi convertesse a abolição da intocabilidade numa meta fundamental dos seus esforços. E na prisão de Yervada, onde tinha sido encarcerado novamente, fez um “jejum até à morte” contra a celebração de eleições separadas entre hindus e párias. Assim obrigou todos os líderes políticos a acudir junto do seu leito de prisioneiro para assinar um pacto com o consentimento inglês. A sua obra de “pedagogia popular” para curar a sociedade hindu não terminou aqui. Distanciado do Congresso, face à decepção que lhe provocava as manobras dos seus políticos, dedicou-se a visitar povos distantes, insistindo na educação popular, na proibição do álcool, na libertação espiritual do homem.

 

O início da Segunda Guerra Mundial foi o motivo para que Gandhi, uma vez mais, retornasse ao primeiro plano político. A sua oposição ao conflito bélico era absoluta e não compartilhava da opiniao de Nehru e de outros líderes do Congresso, inclinados a apoiar a luta contra o fascismo. Mas a decisão do vice-rei de incorporar o subcontinente nos preparativos bélicos da Inglaterra sem consultar os políticos locais clarificou as águas, provocando a demissão em massa dos ministros pertencentes ao Congresso. Após a toma de Rangoon pelos japoneses, Gandhi exigiu a completa independência da Índia, para que o país pudesse escolher livremente as suas posições. No dia seguinte, a 9 de Agosto de 1942, era preso juntamente com outros membros do Congresso, o que provocou uma sublevação popular seguida por uma série de violentas revoltas em todo o território indiano. Esta foi a última prisão de Mahatma e talvez a mais dolorosa, pois foi a partr do seu presídio em Poona que soube da morte da sua mulher, Kasturbai. Era já um ancião frágil e debilitado quando saiu em liberdade no ano de 1944.

 

Terminada a guerra, e dada a subida ao poder dos Trabalhistas em Inglaterra, Gandhi desempenhou um papel fundamental nas negociações que conduziram à sua libertação. No entanto, a sua posição opositora face à partição do subcontinente nada conseguiu contra a determinação do líder da Liga Muçulmana, Jinnah, defensor da separação do Paquistão. Magoado com o que considerou ser uma traição, em 1946 Mahatma viu com horror como os antigos fantasmas indianos ressurgiam durante a celebração de tomada de posse de Nehru como primeiro chefe de governo, que foi pretexto de violentos distúrbios entre hindus e muçulmanos. Gandhi mudou-se para Noakhali, onde tinham começado as lutas, e caminhou de povoação em povoação, descalço, tentando deter os massacres que acompanharam a separação em Bengala, Calcuta, Bihar, Cachemira e Delhi. Mas os seus esforços só serviram para cirrar o ódio que sentiam por ele os fanáticos extremistas de ambas as facções: os hindus atentaram contra a sua vida em Calcuta e os muçulmanos fizeram o mesmo em Noakhali. Durante os seus últimos dias em Delhi, iniciou um jejum para reconciliar as duas comunidades, o qua afectou gravemente a sua saúde. Ainda assim, apareceu de novo em público alguns dias antes da sua morte.

 

Em 30 de Janeiro de 1948, quando ao anoitecer se dirigia a uma oração comunitária, foi atingido pelas balas disparadas por um jovem hindu. Tal como tinha previsto a sua neta, morreu como um verdadeiro Mahatma, com a palavra Rama (Deus) nos lábios. Como disse Einstein, «talvez as gerações vindouras duvidem alguma vez de que semelhante homem fosse uma realidade de carne e osso neste mundo ».

 

Para ler e reflectir. ;)

 

Nota: Traduzido livremente por mim a partir dum texto em www.biografiasyvidas.com
publicado por ladoc às 18:03
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2006
Depeche Mode - 10/Fev/2006, Palau Sant Jordi, Barcelona
042-11-Febrero-2006.jpg

LOVE

ANGEL

PAIN

SEX

VICE



São estas cinco palavras que, exibidas numa bola/nave a pairar sobre o palco, dão o mote para o concerto dos Depeche Mode.
Cerca de 18.000 fãs no Palau de Sant Jordi (na primeira de duas noites desta sala de Barcelona) fizeram questão de estar presentes num concerto que prometia muito – e não desiludiu.
Foram uns Depeche Mode em plena forma que subiram ao palco, abrindo com os dois primeiros temas do último álbum, “A pain that I’m used to” e “John the Revelator”.

... pain...

Martin Gore com asas e capuz negros, Martin Fletcher discretamente atrás de um dos teclados/painel de comandos espacial e Dave Gahan numa forma invejável, mostraram o seu melhor, e não apenas musicalmente.
“A question of time” trouxe o primeiro retorno aos anos 80, evidenciando que o público presente não era recém-chegado às sonoridades desta banda.

... truth...

“Policy of truth” foi o primeiro tema de “Violator”, agora já com um Dave Gahan mais leve, em termos de roupa, e muitíssimo activo, correndo o palco, dançando e saltando. Por esta altura, também os três ecrãs ampliavam a dimensão visual do espectáculo, enquadrando-se na perfeição no palco idealizado por Anton Corbijn – que andou constantemente pelo palco a recolher fotografias da banda.
“Precious” foi o tema seguinte, para voltar logo de seguida aos melhores tempos da banda com “Walking in my shoes” – para mim, um dos primeiros momentos verdadeiramente arrepiantes da noite.

... absolution...

As letras dos Depeche Mode, enquadradas pelas palavras soltas do painel, adquirem uma dimensão fortíssima e intensa, fazendo-nos sentir que, por detrás daquele sorriso aberto de Gahan, ou do prazer bem patente nos restantes elementos da banda e nos convidados, estão canções compostas por mentes e corações rasgados e sofridos.
E foi neste tema que a plataforma de 18 por 16 metros deixou de ser apenas um palco para uma banda com 25 anos de carreira e muitas e boas canções para mostrar, mas também passou a ser uma tela de cinema, em que o filme que se desenrolava, dada a força das palavras transmitidas, me fez pensar na capacidade humana para suportar e superar a dor e o sofrimento.

... suffering...

Como que a sublinhar esta minha sensação, “Suffer well” irrompeu, para logo em seguida Martin Gore assumir o comando das lides vocais, com “Home” e “Macro”, conseguindo arrancar algumas lágrimas da assistência pela beleza lírica dos temas.

... redemption...

Dave Gahan regressa para “The sinner in me” e “I want it all”, um dos três temas composto por ele mesmo para este último álbum.
“I feel you”, apesar de uma intensidade um pouco aquém da minha expectativa, encheu a sala, abrindo terreno para uma sequência maravilhosa: “Behind the wheel”, “World in my eyes”, “Personal Jesus” e “Enjoy the silence”.

... i can help you...

E é nesta apoteose que o grupo sai de palco, para voltar logo em seguida com um primeiro encore iniciado por Gore uma vez mais nas vozes, para uma interpretação em dueto com o teclista convidado de “Shake the disease”. Ainda os arrepios percorriam a minha espinha e voltava Dave Gahan para “Just can’t get enough” e “Everything counts”.

... be my best friend...

O segundo encore trouxe-nos “Never let me down again” e “Goodbye lovers” com todos os elementos nas vozes, e a imagem comovedora de Dave Gahan e Martin Gore na passerelle do palco, abraçados.
publicado por ladoc às 18:16
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Natacha Atlas - 1/Fev/2006, Palau Música Catalana, Barcelona
Natacha_atlas3.jpg


Foi perante uma sala bastante composta que Natacha Atlas desfilou temas que encantaram o público. Sonoridades orientais e ocidentais (muito bem) cruzadas, a trazer ao de cima não só a qualidade vocal desta intérprete, mas também o eclectismo e a fusão patente nos seus trabalhos.
Numa banda composta por bateria, baixo eléctrico, teclados, darbouka e apoio vocal, Natacha Atlas cantou, encantou e até dançou, deixando a belíssima sala do Palau de la Música Catalana ao rubro.
As suas interpretações de “I put a spell on you” e “It’s a man’s world” foram arrepiantes, como se esperava, e os temas de outros álbuns anteriores revelaram-se bastante interessantes, com a roupagem mais “moderna” e “ocidental” conferida pela presença da bateria e do baixo eléctrico.
Ainda assim, os pontos altos da noite foram o solo de darbouka e a dança protagonizada por Natacha.
Como pontos menos positivos, ressalto o desempenho algo errático do teclista – que parecia não atinar com os volumes e sons escolhidos para os seus teclados –, e os problemas sonoros decorrentes do equipamento – o cabo de microfone de Natacha tinha um fio mal soldado, que provocava ruídos e interferências perfeitamente desnecessárias!!!!
Ainda assim, um concerto que se vai reter na minha memória, pelo espaço sublime em que se realizou, pela voz e sensualidade (ambas intensíssimas) de Natacha, por mais uma lição que confirma a fusão e a multiculturalidade como o futuro dos povos no mundo.


Para quem não conhece, aqui vai uma pequena biografia da Natacha Atlas.

Nascida em Bruxelas, meio inglesa, residente no Cairo e em Washington, Natacha Atlas é um “melting pot” cultural que serve de base para os projectos musicais em que se insere.
Começou por ganhar maior destaque quando foi integrada no colectivo Transglobal Underground, como vocalista principal e dançarina do ventre – desengane-se quem imagina uma dança do ventre para encantar turistas, ela aprendeu mesmo a técnica desde muito nova, ajudando a que os seus espectáculos tenham um lado ainda mais apoteótico a juntar-se ao aspecto musical.
Vocalmente, é muitas vezes referida como um cruzamento entre as melhores vocalistas do Médio Oriente com Elisabeth Frasier.
Diaspora (1995) foi o seu primeiro disco a solo, seguido de Halim (1997) e Gedida (1998), este último com a versão brilhante de “Mon ami la rose”, de Françoise Hardy.
Ayeshteni (2001) é o seu quarto disco, com versões de “Ne me quittes pas” do belga Jacques Brel e “I Put A Spell On You”, de Screamin’ Jay Hawkins.
Em 2003, Mike Nielsen e Jah Woble produzem Something Dangerous, uma mescla de línguas (hindu, francês, inglês e árabe) e de linguagens musicais. É também a primeira vez que colabora com outros vocalistas num disco seu, com convidados como Sinead O’Connor, Kalia, Inder Goldfinger ou David Arnold. O seu novo disco é Mish ma’oul (2006).
publicado por ladoc às 18:13
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2006
DM

Em jeito de preparação para o concerto que está para breve, e também em forma de desabafo, aqui vai:



A Pain That I'm Used To


Depeche Mode



I'm not sure what I'm looking for anymore


I just know that I'm harder to console


I don't see who I'm trying to be instead of me


But the key is a question of control



Can you say what you're trying to play anyway


I just pay while you're breaking all the rules


All the signs that I find have been underlined


Devils thrive on the drive that is fueled



All this running around, well it's getting me down


Just give me a pain that I'm used to


I don't need to believe all the dreams you conceive


You just need to achieve something that rings true



There's a hole in your soul like an animal


With no conscience, repentance unknown


Close your eyes, pay the price for your paradise


Devils feed on the seeds that are sawn



I can't conceal what I feel, what I know is real


No mistaking the faking, I care


With a prayer in the air I will leave it there


On a note full of hope not despair



All this running around, well it's getting me down


Just give me a pain that I'm used to


I don't need to believe all the dreams you conceive


You just need to achieve something that rings true

publicado por ladoc às 00:38
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