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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
A submissão
À semelhança do que fiz há um tempo atrás, decidi traduzir mais um conto de Quim Monzó, desta vez do seu livro "El porqué de las cosas" (Editorial Anagrama, Barcelona, 1994).




A submissão


A mulher que está a tomar um gelado de baunilha na primeira mesa deste café sempre teve as coisas muito claras. Procura (e procurará até que o encontre) o que ela chama um homem de verdade, que vá ao cerne das coisas, que não perca tempo em detalhes galantes, em gentilezas inúteis. Quer um homem que não preste atenção ao que ela lhe possa contar, digamos, à mesa, enquanto almoçam. Não suporta os que tentam fazer-se de compreensivos e, com cara de anjinho, lhe dizem que querem compartilhar os problemas dela. Quer um homem que não se preocupe pelos sentimentos que ela possa ter. Desde jovem que fugia dos catraios que passavam o dia a falar-lhe de amor. De amor! Quer um homem que nunca fale de amor, que não lhe diga nunca que gosta dela. Parece-lhe ridículo, um homem com os olhos enamorados e a dizer-lhe: «Gosto de ti.» Ela já lho dirá (e irá dizê-lo amiúde, porque gostará dele de verdade), e quando lho tenha dito receberá satisfeita o olhar de compaixão que ele lhe lançará. Esse é o tipo de homem que quer. Um homem que na cama a use como lhe apeteça, sem se preocupar com ela, porque o prazer dela será o que ele venha a obter. Nada a exaspera mais que esses homens que, num ou noutro momento do coito, se interessam se ela atingiu ou não o orgasmo. Isso sim: tem que ser um homem inteligente, bem sucedido, com uma vida própria e intensa. Que não esteja pendente dela. Que viaje, e que (não é preciso que o faça muito às escondidas) tenha outras mulheres além dela. Ela não se importa, porque esse homem saberá que, com um simples assobio, sempre a terá a seus pés para o que ele lhe queira ordenar. Porque quer que ele lhe dê ordens. Quer um homem que a submeta, que a domine. Que (quando lhe dê vontade) a manuseie sem rodeios em frente a quaisquer pessoas. E que, se por algum acaso da vida ela tem um acesso de pudor, lhe espete uma bofetada sem pensar se alguém os está a ver. Quer que ele lhe bata também em casa, em parte porque gosta (fica louca de prazer quando lhe batem) e em parte porque está convencida de que com toda esta oferta ele não poderá jamais abandoná-la.
publicado por ladoc às 22:31
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