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Domingo, 11 de Março de 2007
Xavier e Sara – Parte II
E lá estava ele. Nem sabia porque estava ansioso. Mas estava! O local combinado era onde ele estava. Chegou com 7 minutos de antecedência. Assim, teria ela o papel de o reconhecer, enquanto ele ficaria com o papel de se fingir pouco ansioso à chegada de Sara. Assim que lobrigava à distância uma cor branca, impacientava-se, “Será ela??”. Só sabia a cor da camisola. Mas tinha explicado bastante bem como iria vestido: calças pretas de ganga, t-shirt castanha e ténis castanhos.

Três minutos apenas. Nem sabia se ela era pontual.

“Bolas, onde é que eu me vim meter? Mas para quê??”

Não estava assim desesperado à procura de mulher. Nem é feio, Xavier. Culto, interessante. Mas o prazer pelo risco! OK, e também a necessidade de ocupar os tempos mortos no trabalho. Sempre lhe dava para ‘treinar’ os dotes de sedução (o principal ponto fraco de Xavier). Mas nunca tinha levado aquilo a sério. E também não seria por ter um encontro que alguma coisa iria mudar.


Mas ele queria que mudasse!!!!! Não sabia bem o quê, mas queria mudar algo, não se sentia feliz. Tinha um vazio. Um oco. Espaço que sabia ser desocupado por si, “não será uma mulher que preenche isto”... mas não custa tentar.

Xavier não acreditava no destino. Foi o destino que lhe ensinou isso. As experiências da sua vida tinham-no levado até lá.

As suas histórias amorosas anteriores nada tinham de especial, apesar de terem muito a contar. Há já muito tempo que Xavier não se apaixonava. E começava a achar isso difícil (desencanto???). Estava bem na vida, gostava do emprego que tinha, amigos fantásticos, o seu tempo preenchido. Não perdia já tempo com pensamentos e divagações inúteis, que pudessem deprimi-lo. Dedicava-se à lida da casa, ao emprego, aos amigos. Continuava a gostar das mulheres, mas parecia não sentir já aquela oculta excitação de sentir algo por alguém, alguma coisa de Especial. Os seus últimos casos foram apenas acidentes de percurso, ou acontecimentos de uma noite, ou acasos amorosos. Quereria ele um caso, ou ficar-se-ia por um acaso? Queria apenas deixar de se preocupar com isso. E que o deixassem em paz. (Mas como pode ele querer isso se de facto ninguém o atormentava, senão ele próprio??).

Deixara as reflexões sobre a vida, eliminando a ansiedade de tudo querer saber, de tudo poder prever, de em tudo poder intervir, de tudo fazer para ser feliz. Os frutos do acaso e do banal começavam a ter um sabor aliciante na sua vida.

“Que bom que é nada pensar!!!”

Decidira que o encontro com Sara não iria ser um marco na sua vida. Ao mesmo tempo que decidia isso, ouvia uma voz ao fundo, a dizer-lhe que isso não era, nem nunca seria, uma decisão dele. E se Sara o despertasse para coisas únicas, que ele nunca tinha antes sentido??? Não saberia como reagir! E porventura ficaria enredado em emoções novas, em sensações estranhas (para ele). E talvez isso o fizesse sentir-se vivo. (Há quanto tempo é que ele não se sentia vivo?).


Faltava um minuto para o encontro com Sara. Mas nem sabia se ela chegaria (a horas ou não). E o seu relógio não era de fiar. Não estaria atrasado (Xavier, não o relógio)? E se ela já estivesse lá?? Olhou em volta. Espreitou o relógio do homem que passava.

Xavier para Xavier: “Tem calma! Está tudo bem!”
Xavier para Xavier: “Estou calmo. Não me chateies agora!!”

Aprendera a valorizar outras coisas. Parece que têm razão (eles...) ao dizer que as privações nos fazem aprender. A escassez torna-nos mais fortes. O sofrimento faz-nos criar defesas. A tristeza ensina-nos a ultrapassar. Redundâncias. (Xavier detesta verdades absolutas).

Passam já 5 minutos da hora combinada. Sara não aparece. O telefone. Não toca. Decide esperar um pouco mais (para não parecer ansioso).

10 minutos.

15 minutos. Cede. Telefona. Atendedor. Não deixa mensagem.

25 minutos. Desiste. Vai-se embora. No caminho de volta, vai observando as pessoas. Ninguém de camisola branca (“Que estranho!! Há sempre alguém com camisola branca”).
Já no carro, decide tentar de novo o telefone. De novo atendedor. Deixa mensagem. Que não sabe o que se passou, se aconteceu alguma coisa. Que não ia esperar mais, que ficaria para outro dia. Que ela lhe telefonasse. Que combinariam para outro dia.

(continua)
publicado por ladoc às 11:49
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